A jornada do passageiro, da porta do terminal à decolagem
O Cenário 01 representa a operação de embarque de passageiros de eVTOL (aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical) no aeroporto de São José dos Campos (SBSJ), em uma janela matinal com dois voos: partidas planejadas às 08:40 e 09:40, quatro assentos por aeronave e oito passageiros programados nos dois voos. O simulador é um motor de eventos discretos: o relógio não avança de forma contínua, e sim de evento em evento — uma chegada, o fim de um atendimento, a liberação de um recurso. Cada execução é reproduzível por uma seed (semente do gerador de números aleatórios), o que torna todo resultado auditável.
A jornada começa quando o passageiro entra no terminal. O instante de chegada é uma variável aleatória (distribuição Beta) dentro da janela do seu voo. Os deslocamentos a pé são modelados em metros (100 m em três segmentos), com velocidade lognormal sorteada por passageiro no nascimento. No balcão do operador ele realiza o check-in (tempo lognormal, média de 300 s) e a pesagem (120 s fixos do passageiro + lognormal de 120 s para as bagagens de mão e despachada) — etapa obrigatória porque a massa embarcada afeta diretamente o desempenho da aeronave elétrica. Sobre essa fase incide o encerramento do check-in: quem não o conclui até 08:10 (voo 1) ou 09:00 (voo 2) é registrado como no-show e o voo parte sem ele.
Segue-se a inspeção de segurança, onde o percurso é definido por gateways estocásticos — pontos de decisão com probabilidades calibradas. Em 35% dos casos o passageiro é elegível ao canal expresso (ARS) e segue direto ao briefing; os demais passam por conferência documental (60 s) e inspeção de raio-X (180 s). O equipamento alarma em 10% das inspeções, o que conduz à revista manual (120 s); a detecção de item proibido tem probabilidade de 1% e é o único desfecho em que o embarque é negado.
No lado ar, após o briefing de segurança (120 s, único por voo — uma barreira aguarda o último passageiro do grupo), o processo passa a depender da aeronave. O eVTOL planeja pousar 50 minutos antes da partida, com desvio normal de ±120 s — aqui a distribuição Normal é deliberada: o desvio é uma grandeza com sinal, e o valor negativo representa pouso adiantado. A aeronave ocupa o único vertipad disponível e inicia a recarga de bateria (média de 1800 s, com piso operacional de 5 minutos imposto pelo motor; sem sistema de resfriamento no baseline SBSJ, somam-se 600 s pós-pouso antes da carga rápida). Uma trava regulatória de segurança elétrica (safety lock) impede qualquer embarque durante a recarga: o passageiro pode estar pronto e, ainda assim, o sistema aguarda a aeronave — um gargalo de recurso, não de fila.
Concluída a recarga, os passageiros ativos seguem em van de apoio compartilhada (embarque na van em lote por viagem, 180 s; deslocamento de 180 s) até o cruzamento de pista, cuja liberação é sorteada a cada tentativa (82% de pista livre); pista ocupada implica espera média de 90 s e nova verificação — um laço de espera que representa o tráfego de pista e taxiway. Cruzada a pista (45 s) e percorrido o trajeto até o estande do eVTOL (120 s por viagem), o grupo embarca na aeronave em lote (120 s por voo). A decolagem real ocorre quando três condições se satisfazem simultaneamente: horário planejado atingido, bateria carregada e todos os passageiros ativos a bordo.